Sarah Chaves

3.1TH

18/06/16

Uau! 31 e eu to tão longe de realizar tanta coisa.
Já li tantos textos sobre a vida pós 25, pré 30, pós 30. Já li tantos textos sobre a juventude nos dias atuais.
Sobre a pressa para prosperar, sobre empreender, sobre arriscar, sobre aproveitar as oportunidades, sobre desacelerar, sobre esperar…
Sobre ainda dar tempo de se casar, de ter filhos, de ser gostosa, de ser famosa, de ficar rica…
Sobre a Carolina Dieckmann, a Luiza Possi, a Sandy e mais umas 10 famosas que chegaram aos 30 e são hiper realizadas.
Sobre açúcares, transgênicos, religiões, truques e cremes.
Já li tanto sobre esse meu novo ciclo antes mesmo de ter chegado nele!

Aos 25 comecei a usar cinta. Logo desisti dela porque não sou do tipo que se sente bem com falta de ar.¬¬
Também comprei umas sandálias por achar que eu usava tênis demais. Desisti delas. Meus pés suam, minha pisada é torta, entra pedrinha entre os dedos, não dá pra descer rampa sem se apoiar em alguém, não dá pra correr na grama, não dá pra usar na chuva, tem que pensar muito pra saber se é a hora certa de usar. Agora, quando eu preciso ir numa “festa estranha com gente esquisita”, arrumo uma emprestada com quem calça meu número e pronto.
E a maquiagem… gente do céu. Vou deixar essa parte pra outro dia.

Perto dos 30 desisti de ter outro filho. Empaquei na vida me achando velha. Ficava fazendo conta de com quantos anos a criança teria quando eu tivesse 40, 45, 50. Ficava pensando se Deus estava me poupando de alguma coisa difícil demais pra eu suportar. Também desisti temporariamente de parte dos meus sonhos. Ficava pensando se as coisas que eu tinha entendido ser de Deus eram de Deus mesmo ou era muita vontade minha de fazer dar certo. Era fé ou teimosia?
Passei pelo ano mais punk da minha vida. Tive que tomar muitas decisões e depositar toda a minha confiança no meu Senhor e na certeza de que Ele tem um plano.

Aos 30, contrariando um universo de relações descartáveis que se apresentam das novelas à vida real, completei uma década de casamento com meu marido e com uns bons amigos.

Hoje, com o 31 batendo na minha porta, carioca da gema moradora da Ilha do amor, cria de quintal vivendo no 12º andar, mãe da Clara, gerando o Tomás, cantora em eterna formação, educadora por paixão, cristã do jeito mais descomplicado que o evangelho me permite viver… tudo o que sei dizer com certeza é que a vida “é um sopro do Criador numa atitude repleta de amor”*.
Nenhum texto sobre a juventude pode ser tão real quanto a história que a gente constrói dia a dia. Tudo passa e cada passo nos aproxima um pouco mais daquilo que esperamos e ainda não vemos. Nem sempre sabemos onde pisar, mas saber a quem pedir ajuda quando caímos parece ser coisa fundamental pra continuar o trajeto sem perder a esperança.

Eu já sabia que Deus tem um propósito para cada ser humano. Compreendi, então, que não existe mágica santa que nos faça entender tudo de uma vez. Viver um dia de cada vez fazendo todas as coisas convergirem em Cristo e no Seu amor, parece ser o segredo de se sentir realizando algo enquanto nessa nossa breve existência.

Entro no meu segundo ano fazendo a mesma oração: Um coração puro e um espírito estável. Estável. Estável. Estável.

Se você me permitir compartilhar um pouquinho do que eu trouxe para esses meus trinta + um, essas próximas linhas falarão sobre minha própria caminhada (pode pular pro último parágrafo também):
1- É mais bonito deixar que descubram suas qualidades a sair contando vantagem por aí. Surpreender é uma delícia.
2- Nessa busca pela oportunidade perfeita, pela aprovação imediata, deixamos de “não fazer nada” por medo de não termos nos mostrado o suficiente. A gente sempre tem uma #dica, uma #opinião, uma #certeza pra jogar na roda. E nessa de se mostrar especialista em tudo, a gente não sabe o que o outro pensa. Temos dificuldade em ceder a vez da fala pra outro e quando cedemos, ficamos pensando no que responder enquanto o outro fala. Usamos: “na verdade” “resumindo” “o que ele quis dizer” – como se fossemos os intérpretes de todas as línguas, donos das últimas palavras. O que aprendi é que se não pediram minha opinião, pode ser que ela não interesse naquele momento. Ficar em silêncio não quer dizer que a gente não sabe o que dizer.
3- Você não pode passar a vida sendo a pessoa que vai nos lanchinhos coletivos, leva só um refrigerante, mas come metade da mesa. Ofereça um pouco mais.
4- Teste de facebook parece ser espelho de Narciso. Caps Lock é gritaria. Primeiro você curte, depois compartilha.
5- Dá pra envelhecer e manter aceso o espírito da infância, mas envelhecer e não amadurecer não é uma coisa boa a se fazer. Principalmente com quem divide a vida contigo.
6- Quando não puder amar por sentimento, ame por mandamento. (Renato Chaves, meu pai).

A coisa mais bonita que entendi até aqui é que enquanto existe vida, há tempo.
Bem vindo, novo ciclo!

Sarah Chaves

 

*Gonzaguinha


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